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(Madeleine / O Fabuloso Destino de Amelie Poulain)
Deus, põe teu olho amoroso sobre todos que já tiveram um amor, e de alguma forma insana esperam a volta dele: que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem. Derrama teu olho amável sobre as criancinhas demônias criadas em edifícios, brincando aos berros em playgrounds de cimento. Ilumina o cotidiano dos funcionários públicos ou daqueles que, como funcionários públicos, cruzam-se em corredores sem ao menos se verem - nesses lugares onde um outro ser humano vai-se tornando aos poucos tão humano quanto uma mesa.
(Caio Fernando Abreu / Zero Grau de Libra)
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Todos compartilhavam uma sensação fantástica de que estávamos fazendo algo correto, mesmo sem saber o que era. Sentíamos que estávamos vencendo.
E acho que essa foi a armadilha - essa sensação de vitória inevitável sobre as forças do antigo e do maligno. Não num sentido cruel ou militar: não precisávamos disso. Nossa energia simplesmente prevaleceria. Lutar não fazia sentido - tanto no nosso lado como no deles. Aquela era a nossa hora. Estávamos na crista de uma onda imensa e linda.
E agora, menos de cinco anos mais tarde, basta subir um morro íngreme em Las Vegas e olhar para o Oeste com a predisposição adequada para quase enxergar a marca da maré - o lugar onde aquela onda enfim quebrou e se retraiu.
(Hunter Thompson / Medo e Delírio em Las Vegas)
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Nelly é ela mesma, sempre ela mesma. Sempre grande e corada, majestosa, indignada, como se tivesse vivido a vida toda numa era de glórias e moderação que terminou para todo o sempre uns dez minutos antes de você entrar no aposento. Como é que se lembra de ser, como é que consegue, todos os dias e todas as horas, ser tão exatamente ela mesma?
(Michael Cunnigham / As Horas)
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Tudo na vida começa com um sim. Eu quero os sins.
(Clarice Lispector/A hora da estrela)
E, apesar de tudo, eu penso que sim, digo sim, eu quero os sins.
(Caio Fernando Abreu/Pequenas Epifanias)
Eu não duvido e sim eu digo. E, sim, eu quero. E sins.
(Adriana Calcanhoto/Sins)
Vence na vida quem diz sim.
(Chico Buarque/Vence na vida quem diz sim)
A gente ama, a gente odeia, mas nossa palavra é sim. Sim.
(Raul Seixas/Sim)
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E, ainda que não queira o regresso,
sempre se volta ao primeiro amor.
A velha rua onde o eco disse
“Tua é a tua vida, teu é o teu querer”
sob o olhar zombador das estrelas
que, com indiferença, hoje me vêem
voltar.
Mas o viajante que foge
tarde ou cedo detém seu andar.
E, apesar do esquecimento que tudo destrói
ter matado a minha velha ilusão,
guardo escondida uma esperança humilde
que é toda a fortuna de meu coração:
voltar…
(Volver/Estrella Morente)
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Renoir - Le déjeuner des canotiers
- Sabe a garota do copo d’água?
- Sei.
- Talvez pareça distante porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não, em alguém com quem cruzou em algum lugar e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente a criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai arrumar?
(O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)
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Antigamente o homossexualismo era proibido no Brasil.
Depois passou a ser tolerado.
Hoje é aceito como coisa normal.
Eu vou-me embora antes que passe a ser obrigatório!
(Arnaldo Jabor)
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Se cada dia cai dentro de cada noite, há um poço onde a claridade deve estar presa. (Pablo Neruda)

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