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Paris é uma festa

(Robert Doisneau / O beijo do Hotel de Ville)

“Quando duas pessoas se amam, são felizes e alegres, e estão empenhadas, juntas ou individualmente, numa tarefa construtiva, os outros se sentem tão atraídos por elas como as aves migradoras são atraídas à noite pela faixa de luz de um farol poderoso. Se as duas pessoas que se amam fossem tão sólidas como um farol, nada sofreriam, pois a perda seria das aves. Mas o fato é que aqueles que atraem os outros com sua felicidade são geralmente pessoas despreparadas. Não sabem como evitar que as arruínem, nem como se livrarem a tempo do perigo.”

(Ernest Hemingway / Paris É Uma Festa)

Mudança! De novo.

Olá, leitores!

Como vocês já devem ter percebido, não têm havido atualizações por aqui. Já faz uns meses que tenho bancando a mãe relapsa, daquelas que entra no quarto, vê se a cria ainda respira e volta pra ver televisão. Não, nenhum problema nisso, mas começou a me incomodar uma idéia: a de estar entrando para o time de internautas que abandonam coisas na rede. Ou pior: estar entrando para a turba inesgotável de pessoas que começam coisas e, um belo dia, por qualquer raio de motivo, desistem, largam, somem, escafedem-se, puft!

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No, Mister Arnstein, HERE I AM!

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Vamos terminar como manda o figurino. Estando constatado que eu não tenho competência para atualizar dois blogs com uma frequência aceitável e, já que estou escrevendo sozinha mesmo (né, xuxu??), decidi migrar os posts todos para o Hello, Stranger. Um por um. Ao longo dos próximos meses.

Agradeço a audiência de todos, agradeço os comentários comédia, a gente se encontra no outro blog. Eu, você, todo mundo lá:

www.marianamiranda.wordpress.com

Por fim, pra terminar bonita na foto, vou postar uma versão gracinha de uma música gracinha.

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(É, gente, versão gracinha de música gracinha, tá tudo gracinha, eu tô um Teletubbie hoje. É isso. Beijos.)

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(Marc Webb/ 500 days of Summer)

- Você nunca quis ser a namorada de ninguém e agora é a esposa de alguém…
- Me surpreendeu também.
- Acho que nunca vou entender. Quer dizer, não faz sentido.
- Só aconteceu.
- É, mas é isso que não entendo. O que só aconteceu?
- Só acordei um dia e soube.
- Soube o quê?
- O que eu nunca tive certeza com você…
(silêncio)
- Sabe o que é uma droga? Perceber que tudo em que você acredita é mentira, é uma droga.
- O que quer dizer?
- Sabe, destino, almas gêmeas… amor verdadeiro e todos aqueles contos infantis… besteira, você estava certa, eu deveria ter escutado.
- Não.
- Sim, por que está sorrindo?
- Tom… [...] Eu estava sentada numa doceria lendo Dorian Gray, um cara chega pra mim e me pergunta sobre o livro e agora ele é meu marido.
- É, e daí?
- E daí que… e se eu… tivesse ido ao cinema? Ou tivesse ido almoçar em outro lugar? E se tivesse chegado 10 minutos mais tarde? Era… era pra ser. E eu só ficava pensando… “Tom estava certo.”
- Não…
- Sim, eu pensei… só não era sobre mim que você estava certo.
(Marc Webb/ 500 days of Summer)

(Pietà / Miguel Ângelo)
Ela não podia olhar para seu pai quando ele tinha uma alegria. Porque ele, o forte e amargo, ficava nessas horas todo inocente. E tão desarmado. Oh, Deus, ele esquecia que era mortal. E obrigava ela, uma criança, a arcar com o peso da responsabilidade de saber que os nossos prazeres mais ingênuos e mais animais também morrem. Nesses instantes em que ele esquecia que ia morrer, ele a tornava a Pietà, a mãe do homem.
(Clarice Lispector / A Proteção Pungente)

(Michel Gondry / O Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças)

Joel: Espere!
Clementine: O quê?
Joel: Eu não sei.
Clementine: O que você quer, Joel?
Joel: Basta esperar. Basta esperar. Eu não sei. Eu só quero que você aguarde… por algum tempo.
Clementine: Ok.
Joel: É mesmo?
Clementine: Eu não sou um ideal, uma meta, Joel. Eu sou apenas uma garota fodida olhando para a própria paz de espírito. Eu não sou perfeita.
Joel: Eu não posso ver nada que eu não goste de você.
Clementine: Mas você vai.
Joel: Agora eu não posso.
Clementine: Você vai, você vai pensar muitas coisas e eu vou ficar aborrecida com você e você vai se sentir encurralado, porque é isso que acontece comigo.
Joel: Ok.
Clementine: Ok.

(Michel Gondry / O Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças)

(Everly Giller / Lua Crescente)

Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer”. Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada.

Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.

(José Saramago / Discurso à Academia Sueca)

(Irmãos Coen / Um Homem Sério)
Não se irrite o leitor com esta confissão. Eu bem sei que, para titilar-lhe os nervos da fantasia, devia padecer um grande desespero, derramar algumas lágrimas, e não almoçar. Seria romanesco; mas não seria biográfico. A realidade pura é que eu almocei, como nos demais dias…
(Machado de Assis / Crônicas)

(Irmãos Coen / Um Homem Sério)

 

O trágico não vem a conta-gotas.

(Guimarães Rosa / Grande Sertão)

(Jean-Pierre Jeunet / O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)

 

Pois estragar a propria vida é um direito inalienável.

(Jean-Pierre Jeunet / O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)

(Ann Brashares / The Sisterhood of the Traveling Pants)

 

Algumas pessoas mostram a sua beleza porque querem que o mundo a veja. Outros tentam esconder sua beleza porque querem que o mundo veja outra coisa…
Acredite, nem todo mundo que você ama vai te abandonar.

(Ann Brashares / The Sisterhood of the Traveling Pants)

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